sexta-feira, dezembro 23, 2005



'Sonho de uma noite de inverno'
Eu lhe disse:
_ Hoje à noite, sonhei.
Os teus cabelos me circundava o pescoço.
Eles eram como um colar negro que me envolvia a nuca,
Caindo-me nos seios.
Eu os afagava,
E eram meus,
E ficávamos ligados para sempre,
Assim,
Pelos mesmos cabelos,
De lábios colados,
Como dois loureiros que costumam ter uma única raiz.
E, pouco a pouco,
Parecia,
Tamanha era a confusão de nossos membros,
Que eu ia transformando-me em ti
Ou
Que tu ias entrando em mim
Como o meu sonho.
Estava a ouvir 'Man of the moon',
Lendo 'Luar', de Verlaine
E imaginando-o calmo,
Triste,
Mas formoso,
A dar aos pássaros das árvores e mais suspiros de êxtase aos grandiosos,
E ainda,
Afagando os meus cabelos.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Bom velhinho


É véspera de Natal.
Período em que as pessoas reafirmam suas crenças e compartilham amor e solidariedade.
Dividem alegrias.
Reforçam os vínculos.
Alguns com famílias calorosas, outros com famílias tristes.
E eu?
Eu, atormentado com algumas perdas.
Excesso de ausências.
No que me agarrar?
Em que acreditar?
Conflitos!
Dor!
É dezembro!
Véspera de Natal.
Nesta época o frio se apodera do meu ser.
Já sei!
Acredito em Papai Noel...
Este bom velhinho entra pela janela do meu quarto.
Presenteia-me com a consciência para ser feliz!

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Uma história secular


Todos os dias, passando pela avenida, meu caminho de ida e volta para o trabalho, sempre cruzo com uma centenária gameleira, frondosa, bonita, imponente.
Muitas vezes, pela correria do dia-a-dia, aquela velha árvore passa despercebida, apesar do seu tamanho.
Porém, em um dia qualquer, tomada por um momento de introspecção, ao passar debaixo de sua copa aconchegante, comecei a pensar em quantos anos teria aquela relíquia da natureza. A julgar pela grossura de seu tronco de mais ou menos três metros de diâmetro (segundo meus escassos conhecimentos em Botânica), deve ter cem, duzentos, quem sabe uns trezentos anos de existência.
E comecei a imaginar quantas coisas aquela centenária criatura poderia ter presenciado ao longo de sua vida, desde que brotou e cresceu ali naquele lugar.
Será que ela nasceu por obra da natureza ou alguma mão generosa plantou-a ali?
Não sei.
O fato é que no decorrer de tanto tempo, esta velha árvore deve ter sido testemunha de inúmeros acontecimentos.
Quantos pássaros e animais desfrutaram de sua sombra acolhedora e refrescante!
Quantos homens descarregaram seu cansaço, aproveitando o abrigo de suas folhas densas, a olhar o céu de alguma noite estrelada!
Com certeza, abrigou em sua generosa sombra, tropeiros que desbravavam a região no final do século XIX, ou talvez os mascates que traziam mercadorias e provimentos alimentícios no lombo de cavalos e acabavam transportando o progresso, trazendo as novidades e fazendo o intercâmbio entre a civilização sulista e o povo do sertão. E quem sabe, este espécime também testemunhou a construção da estrada, que rasgava o coração do cerrado, trazendo, definitivamente, o tão sonhado progresso.
No início, apenas uma estrada de chão batido e poeira.
Com o desenvolvimento, viu também, a construção do asfalto, que trouxe mais conforto e comodidade a população local e adjacências.
O mais interessante é que esta velha companheira da estrada resistiu a todos esses acontecimentos e, mesmo com a possibilidade de ter se constituído em empecilho para a implantação do progresso, ela continua firme e forte, sem ter sido atingida pela fúria insana do homem em busca do desenvolvimento a qualquer preço.
Agora, penso:
Quem dera a um de nós, pobres mortais, viver tantos anos como esta árvore secular, que apesar de ser a moradora mais antiga às margens de uma das avenidas mais movimentadas da cidade, permanece ainda altaneira, com tanta imponência.
Quisera eu viver tanto tempo, e principalmente com tanta robustez.

d?Arc

terça-feira, novembro 01, 2005

Um deus humanizado


Bem sei que todos nós inventamos os nossos amigos, se é que não a nós próprios quando queremos estar de bem com o mundo. Mas Mr. Simple, este Mr. Simple que veio se meter entre mim e o que ele fosse já foi demais inventado. Não só pela realidade vivida, mas também pela história imaginada.
Realista, utópica ou não, o que não gosto é de sentir-me um personagem do meu personagem, ele me mandando vir e eu a ir ver como é.
Percebo que deveria ter escrito este texto em terceira pessoa, tudo transposto e bem arrumadinho, como uma tática para os que se sabem defender.
Mr. Simple é diferente. Não sei diferente do quê. Talvez seja somente cisma minha. Como é tão mais fácil a gente sentir-se enamorado do que aceitar que se pode ficar 'enamorado'. Para esses sentimentos não há treino, eles surgem levando o nosso corpo ao encontro da alma e do espírito em ígneo turbilhão. Às vezes tão contrário a si, mas fiel ao exercício das pequenas coisas...
E a história imaginada não estará pelo avesso sem um final feliz... Ela segue o seu curso. E até lá vamos viver. Apenas começamos!! ( Oxe! Cá estou em primeira do plural! Sem essa de: "Nós"!!).
Mr. Simple confunde-se e confunde-nos! Ele insiste em lutar contra o seu instinto. Sua natureza é límpida, cândida, porém, há um grande conflito que o atormenta.
Ele não acredita. Não vou julgar! As emoções, o pensamento, as percepções e o comportamento já não são mais os mesmos. Todos já sabem: delírios, alucinações, perturbações do pensamento, alteração da sensação do eu. Você já não é você, uma entidade já se apoderou do seu corpo, ou ele não existe mais. Mas não é bem assim que as coisas são. Acho que agora começo a perceber tudo o que você me disse ou pelo menos o que lembro que aprendi com você. Mas não preciso de paradigmas, não preciso de heróis, não preciso de afirmações irracionais...Serei eu mesmo então... Sem dramas, sem preocupações com Mr. Simple, sem isolamento social, sem busca de explicações, com primeira, segunda e terceira pessoas... Nada é fácil e nada é certo, mas a prudência e a constância gritam em meu espírito e com isso, já não sou mais o que um dia fui...
Mr. Simple SOFRE com a difícil verdade de possuir uma normalidade, fugindo assim, de sua condição de sonho e de nada. Mas sua luta passará... Sua impessoalidade acabará, ele voltará a ser humano e seus conflitos acabarão; o amor brotará em seu interior, sua doçura saíra da clausura, seus sentimentos ganharão força, e se o humano que o acompanha existir ainda como ser humano, será feito o amor mais intenso e mágico na Terra.
M.R.

sábado, outubro 22, 2005


Meu irmão, minha prima Carol e eu em Brasília, nos preparando para o baile...

sexta-feira, setembro 30, 2005

Mr.Simple


Um dia começa.
Mr. Simple dorme e perde o sol desvirginando a madrugada.
O cheiro da manhã exala, com abuso, o frescor da brisa, pelas frestas da janela, do quartinho apertado de Mr. Simple.
Ele dorme como se estivesse num coma profundo e irreversível.
A ampulheta trabalha grão por grão num compasso alienado.
O cheiro da manhã se confunde com o cheiro do café que vem da casa vizinha de Mr. Simple.
Esse cheiro parece milagroso, pois o faz mexer-se na cama.
Inspira profundamente, acochega sua cabeça em um travesseiro bem desgastado. (Mr. Simple não o troca por nada)
Nada o desperta.
O seu horário de acordar? Quando o sol está radiante.
É meio-dia.
Mr. Simple levanta.
Com os olhos de ressaca e com os cabelos bagunçados, tenta encontrar a porta de seu banheiro, mas antes disso, ele corre na radiola e coloca um bom vinil, para dar asas à sua imaginação.
Mr. Simple não tem apego com este mundo.
Ele não pertence a este mundo.
Ele quer viver intensamente.
Teve algumas mulheres.
Talvez tenha amado.
O coração dele é profundo demais para ser observado.
Mr. Simple doa amizade e atenção às pessoas que o conhecem.
É AMIGO.
Tem amigos.
Neste exato momento, Mr. Simple encontra-se envolvido com alguém.
Sua simplicidade é sedutora.
Mr. Simple "considera" esta mulher.
Ele não a ama.
Mr. Simple é muito simples para isto!
Ele viaja muitas léguas enquanto ouve o seu vinil.
O seu dia passa. Às vezes lento, outras vezes, rápido e dinâmico.
A noite de Mr. Simple?? Ocupada.
Primeiro, ele cuida do seu novo envolvimento.
Dá carinho, beijos, faz piada, a quem diga que ele pratica até sexo!
Depois, ele preocupa-se com ele e, ao mesmo tempo, intelectualiza seus neurônios.
Mr. Simple não é tão simples assim.
Há algo obscuro em seu olhar.
Ele tem manias.
Ele é cheio de manias.
Alguém caiu na cilada de sua simplicidade!
Sua noite? Está acabando.
Mr. Simple volta para casa.
Para a simplicidade de sua vida.
Para o seu quartinho apertado.
Para o seu travesseiro desgastado.
Amanhã? Envolver-se-à...
Outro dia começará para Mr. Simple...

Michele Ribeiro

quarta-feira, setembro 21, 2005

Simpatia pelo demo??


O astrólogo carioca Otávio Azevedo aborda na revista universus um assunto que me parece ser da maior importância e por isso publico aqui. Sei que é muito polêmico. Sei que tá sujeito eu escrever algumas bobagens, e se eu fizer isso, peço aos senhores que me corrijam( micheleribeiro@yahoo.com.br).
Otávio inicia dizendo que se perde no tempo, o tempo em que o homem começou a ?culpar? o demônio pelas suas faltas. Segundo ele, esta é uma maneira fácil de fugir da nossa responsabilidade pelos atos cometidos e um jeito de nos livrarmos da angústia que nos causa o fato de termos de passar pela vida por um caminho de erros e acertos, que no final das contas é o nosso único e verdadeiro patrimônio. Segue o autor falando, que grande parte das religiões que proliferam nos dias de hoje têm em comum o fato de jogarem para cima do capeta a responsabilidade pelos erros que estamos todos sujeitos a cometer, e que de uma ou outra maneira, apresentam fórmulas para nos livrarmos do mal. Em programas de T.V., rádio, e toneladas de páginas escritas, os ?homens de Deus? urram: ?Sai capeta, fora Demônio?. Uma verdadeira batalha está sendo travada contra as sombras, como se nos fosse possível baní-las de nossa presença. Ainda segundo o autor do artigo: ?Pretensamente na tentativa de afastar o demônio, não fazemos nada mais do que afirmar a enorme importância que esta parte sombria da humanidade ainda exerce em nossas vidas, porque o maior afastamento de qualquer coisa se dá pela indiferença por essa coisa, jamais pelo combate exacerbado.? ... ?...estão tão preocupados em ?afastar o demônio?, que me pergunto até que ponto não estarão muito mais perto dele (ou fascinados por ele) do que dos Anjos que tanto exaltam... Até que ponto não nutrem uma dissimulada simpatia pelo demônio, graças a qual podem subsistir nessa eterna cruzada imaginária que lhes garante cada vez mais lucros e poder? Confesso que não sei a resposta. Tenho por princípio respeitar todas as religiões(ainda que não pertença a nenhuma delas) tenho alguns parentes e amigos que são ?homens de Deus? e que fazem um trabalho bem legal nas igrejas a qual pertencem, reconheço que o trabalho de algumas dessas igrejas ?de combate? é muito bom, e tem melhorado a vida de muita gente, mas não deixo de sentir um frio na espinha quando vejo alguém se colocar no lugar de falar em nome de Deus, e ?combater? em seu Santo Nome... Muitas fogueiras já foram erguidas sobre essa terra, e muita gente já foi queimada viva por ter opiniões diferentes daqueles que se diziam guerreiros de um rei que só falou de Luz, Paz e Amor...

segunda-feira, setembro 19, 2005


Uma turminha bacana

Três vezes na semana encontro-me com essas duas pessoas na faculdade em Inhumas.
Aí tem história pra contar quando vamos ao "Maurílio".
Doia amigos queridos: Élida e Marquinhos.
Grande abraço pra vocês!!!

sexta-feira, setembro 02, 2005

Ai se sessê!


Se um dia nós se gostasse
Se um dia nós se queresse
Se nós dos se impariásse
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse qui São Pêdo não abrisse as portas do céu e fosse, te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse e se tu insistisse, prá qui eu me arrezorvesse e a minha faca puxasse, e o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse tarvez qui nós dois caísse e o céu furado arriasse e as virge tôdas fugisse!!!
Zé da Luz (Grande Poeta Nordestino!!!)

segunda-feira, agosto 29, 2005

Terra do nunca



Deu num jornal de Brasília: Hoje em dia tem muita gente que prefere não casar. É muito mais prático, e não tem o transtorno do casamento. Se bater solidão, tem a Internet, ou então, você pode ficar com alguém enquanto durar a paixão, e quando começar a chatear, troque! Será que descobrimos enfim a solução? Será que achamos a saída para esse beco sem saída que é o relacionamento a dois? Será o casamento uma instituição realmente falida e condenada a poeira dos museus?
Será que ninguém mais além dos gays e dos padres defenderá essa bandeira rasgada?
A geração do ficar é, quase toda, filha da geração do desbunde, aquela que chutou o pau da barraca nos anos sessenta. Ou filha do eco dessa barulhenta geração. A geração do desbunde deu um salto muito grande em relação ao andar da carruagem de até então. O modelo de casamento que serviu aos nossos avós é quase o mesmo que serviu aos bisavós, que é igualzinho ao dos nossos tataravós, etc... Mas a geração do desbunde turbinou o EGO. Até o meio do século passado, individualidade era coisa muito rara. Coisa de artista. De viado e vadia. A geração do desbunde democratizou o ego. Popularizou, amplificou o ego. Psicologizou tudo. Freud virou uma espécie de Marilyn-Monroe-pop-rosa-choque. Todo mundo ficou traumatizado e cheio de direitos. Realmente, foram conquistas significativas e importantes. Só que esses egos cheios de vitaminamericana não conseguiram mais conjugar a primeira do plural. Dois EUS inflacionados não cabiam mais em um único e pequenino nós.
A geração do ficar é filha, quase toda, de uniões fracassadas, de casamentos náufragos. Herdaram um pé de feijão que desabou sob o peso dos EGOS GIGANTES, e agora querem tudo, menos repetir o olho por olho, dente por dente que conheceram dentro de casa. Será, que eles não tem razão? E por quê, não encerrar mesmo com esse martírio que é o casamento? Será que o modelito ficar não é muito mais eficiente e prático? O modelito ficar é sem dúvida, uma dádiva moderna...Só direitos. Nenhum dever... E quando começar a incomodar, a gente muda o disco... O modelito ficar não trai os seus antepassados, os EGOS GIGANTES... Aparente-mente, ele é perfeito, mas tem ruído aí... Se cada vez que acabar a paixão, ou seja, cada vez que aparecer um probleminha qualquer, a gente pular fora e começar tudo de novo com outra pessoa, como é que vamos sair da superfície? Atravessar a arrebentação? Conhecer o amor? Amor? O que é isso? Pra que serve? Não é tudo a mesma coisa? Acho que estamos confundindo o carro com os bois. Amor é quando a gente começa a achar que urubu é meu louro. É quando aos nossos olhos, todos os defeitos do outro sumiram. O amor nos torna alquimistas. Transmutamos o chumbo amargo do dia-a-dia, no ouro da tolerância e da paciência. Da aceitação do nosso semelhante, e de nós mesmos. Do jeito que Deus fez, não do jeito que a gente acha que ele deveria ser. Acho que estamos confundindo Amor com paixão. E estamos pagando um preço muito alto por isso. A paixão é a isca do Amor. A cobertura do bolo. A paixão serve para nos levar para dentro de um relacionamento, que pelo atrito, vai arredondando as NOSSAS arestas, para podermos chegar um dia a sermos redondos o bastante, para rolar na pista do Amor. Se ficarmos na superfície de um relacionamento, e quando começarem a aparecer as NOSSAS arestas, a gente pular fora e começar tudo de novo, como é que vamos crescer? Como é que vamos arredondar as arestas? Como é que vamos chegar um dia a ser adultos de verdade? Será que estamos condenados a viver em uma Disneylândia-dândi, onde meninos e meninas mimados passam os dias eternamente comendo a cobertura do bolo? Uma terra do nunca, onde nunca assumimos compromissos, nunca crescemos, nunca nos envolvemos de verdade, nunca nos entregamos de corpo e alma para nada e para ninguém? Uma terra de sonhos, onde tudo é açúcar branco.Tudo é açúcar barato, pobre, que dá barato sim, na hora em que é consumido. Mas depois nos atira naquele precipício sem fundo que é a falta de sentido na vida? Aquele lugar frio onde vegetam os covardes que não são dignos nem de habitarem o inferno? Os fabricantes de anti-depressivos devem estar aplaudindo de pé...
C.M.

segunda-feira, agosto 22, 2005

Evoluir é conviver

Há muito tempo, o ser humano, um ser pensante, percebeu que algumas espécies são muito semelhantes mas, que apesar disso, apresentam, entre si, diferenças fundamentais. A tendência humana é reunir essas espécies em grupos, nomeá-las e estudá-las para entender sua natureza, seus comportamentos e conhecer sentimentos e reações.E para que isso? Para ter condições de lidar com elas. E como lidar com isso? A sociedade de uma forma geral costuma discriminar os diferentes. O que não se aceita tende-se a isolar ou ignorar. Uma mais branda, mais reflexiva... outra mais contundente, mais incitante. Mas ambas, afastamento ou ignorância, são formas diferentes de uma mesma discriminação. É tarefa árdua lidar com os diferentes. Nestes tempos onde os discursos apaixonados promovem a pacificação, a reintegração e a união onde o que se procura é a não discriminação, o que mais vemos é o separatismo, o isolamento. Grupo de risco, de deficientes, de torcedores, de fanáticos, de mauricinhos, de carecas, da terceira idade, de espíritas, de evangélicos...Não importa. Cada um de nós tende a se encaixar num grupo e sair à procura de seus pares. Mas... radicalismos são infrutíferos. Não se isole ou isole os que não lhe forem iguais. Sempre existirá aqueles que não se identificam com nenhum grupo ou espécie. Estes, não são apenas diferentes - são únicos! Não se encaixam aos padrões do meio em que circulam e se sentem segregados reagindo, defendendo-se, atacando. O que fazer nessas horas? A sociedade é o grande grupo e todos somos parte dela. Somos apenas semelhantes, mas semelhantes em quê? Na aparência? No sentimento? No pensamento?Cada um de nós será sempre diferente do outro. É preciso que compreendamos o diferente, que aprendamos a conviver nessa realidade. Diferente é diferente.
Afinal... A beleza e magia da vida residem em toda essa diversidade.
M.R.

...

Eu mesma provoco choques tremendos dentro de mim. Possuo três personalidades muito fortes. Uma que é a pura essência da arte, fluida, bela, e tem uma leve coloração azul;
outra é a minha consciência, é parda, pesada, sombria e severa.
Outra, utópica, visionária, tem cor de creme, com riscos avermelhados e roxos com um pouco de dourado!
Eu as distingo perfeitamente.
Se a primeira personalidade vencesse, eu seria quase uma deusa; pura, quase inerte, passaria por tudo vibrando, refletindo como um cristal, e produziria sons.
Uns sons um pouquinho dissonantes, sabe como? Assim como se eu caísse numa cachoeira e as gotas frias me fizessem gritar de susto. Uns gritos mais agudos e umas risadas que a gente dá sem motivo, um tanto desafinadas, mas bonitas.
Eu seria assim, se a minha primeira personalidade vencesse.Eu seria intocável. Tudo me faria vibrar, mas seria delicada; nada seria capaz de ferir-me ao ponto de sair sangue. Seria como uma harpa longa, cheia de beleza, mas sem intensidade.
Quanto à segunda personalidade, eu quase não a distingo. É esquisita.
A pobre coitada sofre tanto a força da primeira e da terceira que ainda não está bem formada(É por isso que nem sempre raciocino com muita clareza). Concorda com a audácia da terceira personalidade, mas discorda dos seus desejos; condena a superficialidade e adora a forma, a cor e a vedadeira beleza que ela tem. É por isso que ela é parda, cinzenta quase. Vive numa profunda melancolia, procurando resolver um problema sério: decidir, como um juiz imparcial, qual das duas personalidades será a mais forte e a mais digna de vitória? É essa pobre melancolia que, às vezes, é visível em mim. É a consciência que pasma de mim mesma.
A primeira e a segunda, a princípio, ficam cheias de remorso e, depois, começam a rir. Riem loucamente! É uma coisa que existe lá dentro, que não sei o que é. Fico compungida. Dá um aperto no coração!
É algo que existe, mas quase nunca aparece. Nunca.
Fica sempre desconhecida, mas, no momento de um choque entre as três personalidades, ela surge de leve, mas persistente, parece assim uma gotinha d'água que treme no cantinho dos meus olhos. É esquisito! E de repente some de novo...
E agora vamos à minha maravilhosa terceira personalidade. É notável. É cheia de dinamismo. Brilhante! Um pouquinho insensível, às vezes.
Calejada... se encanta com coisas e situações simples, embora tremendamente forte. É assim como as cordas de um violão que premitem o som. É forte, intensa, humana. Ama, chora e morde. Sabe muito bem o que quer. Briga, deseja, anseia, e tem um prazer imenso em se encostar como um gigante infantil em cima do azul e do cinzento. Se recosta como num divã, na transparência da primeira personalidade. Brinca com ela e, de vez em quando, tira um mi bemol, um lá, forte e intenso. É a maravilhosa violonista que toca para se divertir com a própria brincadeira, e faz um barulho tremendo. Gosta de beijos e de revolução. Tudo se mistura, se condensa. Primeira, segunda e terceira personalidades que dão essa confusão nebulosa, parda, azul, dourada, avermelhada de som, de melancolia, de um ritmo alucinante e, às vezes, de inércia e de espanto: essa confusão humana sou eu. Absolutamente eu! Eis o que sou. Eis a minha alma que nunca ninguém decobriu, que nunca ninguém atingiu, mas que todas as coisas juntas, tocam e fazem vibrar.
M.R.

sábado, agosto 20, 2005

O olhar da lua



A sua maneira de ser diferente no olhar me faz acreditar na sua majestade. Majestade nesse olhar com uma visão única, que me acompanhou desde a entrada no carro. Esse olhar me cercava por todos os lados e com todos os ângulos possíveis... uma imagem possivelmente cubista. E trazia consigo um jeitinho de me olhar dengoso e solitário alucinante... fazia até gracinha comigo: quando eu a procurava, fugia de mim por um momento, ou melhor, por um movimento do carro e aparecia cheia de graça e luminosidade... tão majestosa e tão simples. Me cativou. E agora, como diria Saint de Exupèry: "É responsável por aquilo que cativas"... minha admiração e encantamento... meu vislumbre. Procurei por ela de novo e já estava em outro lugar ou ângulo... com o balançar do carro nas ondulações do asfalto, ela parecia dançar uma valsa vienense, deslizando pela noite escura e infinita. A sua simplicidade remetia a alguém especial... Lua envolvente!! Agora estou chegando em meu destino e você me proporciona uma lembrança tão boa... A sua luminosidade e , mais uma vez, a sua simplicidade mostra-me nitidamente o que vi nos olhos negros de hoje! Lua, havia predestinado tudo? Pois ontem à noite, tu já estavas cheia de esplendor, toda dona do céu... Conspire sempre ao meu favor Lua, pois lutar contigo é tolice... Lua por São Jorge abençoada, conseguistes libertar meus pensamentos da velocidade da luz!

Sinto-me feliz!

Michele Ribeiro.

sexta-feira, agosto 19, 2005

Tarsila do Amaral: aproximações entre a cronista e a pintora


1ª Parte do meu artigo publicado nos Anais da UniEvangélica

O Modernismo provocou um corte providencial na cultura brasileira da época, e ainda possui grande influência na arte contemporânea brasileira.
Modernismo, como todos sabem teve seu ápice cultural na famosíssima semana de arte Moderna de 1922, ocorrida entre 13 e 17 de fevereiro daquele ano, com grande repercussão entre os intelectuais e jornalistas da época, mas sem o objetivo plenamente alcançado, que era o contato das obras modernistas com o povo brasileiro.Mas o que poucos sabem é que esse movimento cultural teve um panorama mais amplo do que o apresentado naquela semana.
O Modernismo como conceito teve início no meio da década de 1910, depois de Oswald de Andrade ter conhecido o Professor Mário de Andrade, e mais tarde com o retorno da Europa por Anita Malfatti e suas exposições de pintura em 1917, bem como o surgimento do escultor Victor Brecheret, que seriam futuramente as bases das artes plásticas da Semana de 1922.
O fim do movimento se deu por volta da década de 40, principalmente com o falecimento de Mário de Andrade, em 1945.E como todo movimento de longa duração, também foi de grande complexidade e ousadia. Esses intelectuais romperam com toda uma forma de fazer arte, totalmente voltada à Europa, seu povo e seu modo de vida.
O Modernismo procurou substituir o conceito de raça pelo de cultura, partindo de novos paradigmas, analisando a arte brasileira como algo efetivamente nacional. Isso se deu com um modo de pensar totalmente novo, incorporando o passado e as tradições brasileiras, mas não como formas inertes e sim utilizando esses elementos como novas ferramentas para criação.
Essa perspectiva foi uma afronta para os intelectuais mais ortodoxos, pois ia contra a toda uma forma única de pensar e produzir arte. Os modernistas traziam algo impensado até aquele momento: a busca pela valorização do povo brasileiro.
Esta seria baseada no aproveitamento também da cultura popular e não apenas utilizar elementos da cultura erudita, centrando no país e suas necessidades, com anseios e projetos próprios e com apelo ao povo, desvinculando-se das outras nações.
Esse desejo se manifestou nas obras feitas naquele período, como retratos do mestiço, da favela, do progresso, colocando pela primeira vez a arte com uma função pública e política perante a sociedade.
Outro conceito muito abordado dentro do Modernismo foi a Antropofagia, criado por Oswald de Andrade, através de seu Manifesto Antropófago (1928).
Esse conceito colocado por Madeira e Veloso (1999) seria o passado, a tradição, o primitivo como fontes de um lirismo original, matéria-prima para a paródia e para a crítica, incorporando as contradições entre a natureza e a cidade, a realidade urbana com seus elementos mais radicalmente modernos.
E tudo isso se constituiria na ?devoração antropofágica? de todos esses elementos para se criar uma nova perspectiva para a nossa cultura, deglutindo tudo a seu redor e trazendo algo mais reflexivo e próximo ao Brasil.Ao analisar a cultura brasileira por este novo parâmetro, valorizando o nosso povo, bem como tudo produzido aqui, os modernistas causaram um impacto muito grande nas pessoas.
O objetivo foi aproximar a grande massa representada naquele movimento artístico. Só que isso acabou não ocorrendo, justamente pela população não ter identificado aquilo que diziam representar a eles mesmos, até por não possuir conhecimento daquilo, por ser uma classe iletrada, portanto, sem maior informação sobre o que seria aquele movimento único na arte brasileira.
Outro fator foi o alto custo para se ter acesso a essas obras. Exemplo disso foi o alto preço das noites na Semana de Arte Moderna. Ainda que o Teatro Municipal ficasse aberto durante o dia na semana de fevereiro de 1922, os operários estavam trabalhando, portanto, não tinham condições de acompanhar as exposições e palestras.

Isso, portanto, coloca em questão a real objetividade que o Modernismo propôs na sociedade da época. Era uma busca de ruptura, com vistas ao povo brasileiro, seu passado e tradições, mas sem uma empatia efetiva com os cidadãos pobres da época, apesar de ser um algo revolucionário, com outro olhar a mostrar.
Porém, se como povo o movimento não obteve êxito, não se pode dizer o mesmo em relação ao acervo cultural e a sua importância no desenvolvimento artístico brasileiro, tendo como enorme influência o Modernismo Antropofágico de Oswald de Andrade eTarsila do Amaral.Podemos exemplificar esta influência para a nossa cultura com a Bossa Nova, a Tropicália de Caetano, Gil e a arte daquele período por Oiticica Filho. Lembremos também o modernista Gláuber Rocha com seu Cinema Novo, e posteriormente o movimento musical pernambucano denominado Manguebit.
Todos esses períodos representaram plenamente o movimento cultural mais importante de toda a história artística brasileira, afinal o Modernismo nos trouxe uma forma nossa de criarmos a arte brasileira.

terça-feira, agosto 16, 2005


Admirável Mundo Atual Dicionário pessoal dos horrores e esperanças do mundo globalizado - Geração Editorial, 2001.
Ler os jornais, assistir ao noticiário, ouvir discursos, conversar com os amigos, nos tempos atuais, é motivo de surpresa por causa da quantidade de palavras novas que surgem e da falta de sentido em palavras tradicionais. A sensação que se tem é que os dicionários entraram em crise. No limiar do século XXI, palavras antigas perdem sentido e outras aparecem, como se a realidade fizesse aflorar. Este livro, absolutamente original, coleciona estas novas palavras e sentidos, interpreta palavras antigas, apresenta palavras novas e sugere outras que se aproximam de conceitos que estão nascendo. O autor deste Dicionário Pessoal só poderia ser um dos mais inquietos e criativos intelectuais brasileiros, mundialmente respeitado e reconhecido: Cristovam Buarque, ex-governador do Distrito Federal e pioneiro na concessão da Bolsa-Escola é autor de 19 livros .

segunda-feira, agosto 15, 2005



Apagaram tudo. Pintaram tudo de cinza. A palavra no muro. Ficou coberta de tinta. Apagaram tudo. Pintaram tudo de cinza. Só ficou no muro, tristeza e tinta fresca. Nós que passamos apressados, pelas ruas da cidade, merecemos ler as letras e as palavras de Gentileza. Por isso eu pergunto à você no mundo se é mais inteligente o livro ou a sabedoria. O mundo é uma escola, a vida é o circo amor palavra que liberta já dizia o Profeta.

A-M-I-G-O-S


Amigos... Como descrevê-los...
Amigos... Como esquecê-los...
Amigos... Sei que estão sempre presentes...
Amigos... De verdade, são meus amigos...
Seres inesquecíveis, queridos, que sabem compreender...
São companheiros de luta, de ideologia, de copo, de alegrias...
São companheiros até na distância... se um está distante o outro inventa de rasgar as Minas Gerais e abandonar o Planalto Central...
Os meus amigos são Amigos e estão distantes, mas são os meus únicos amigos distantes... Isso basta! Serem Amigos!!!
À Nicole e ao Grayson
Para o meu irmão distante
Sempre quis algo mais
Poderia deixar o Planalto Central
Mudar para qualquer canto
que qualquer cantinho me lembraria você
com meu canto lembro da infância
que tão rápida se foi
deixando saudades
É só saudade, mas dói como se fosse amor
É amor, mas não é dito assim
como se fosse amor de casal
É pulsante, é vivo, é sentido
às vezes dolorido, é a distância
que tortura um pouco ao ponto
de até esquecer-me do seu rosto
mas resta-me sua fotografia
resta-me nosso amor:
fraternal
Para o meu irmão Patrick

quinta-feira, agosto 11, 2005


Eu Posted by Picasa

Meus amados pais! Posted by Picasa

CHANGE

Diz Heráclito que como tudo está em permanente mudança nenhum conhecimento é possível. Se tudo varia eu também vario, portanto, estou em constante variação. Meus sentimentos variam, minha pele, minha nóia, minha loucura, meu desejo, meu sexo, minha palavra, meu dinheiro, minhas unhas, tudo em mim varia! O mundo está apenas em variação perpétua quando em contraste com algo imutável. Descarte considera: "sou eu um sujeito pensante."

Sou sua sabiá!

Se o mundo for desabar sobre a sua cama
E o medo se aconchegar sob o seu lençol
E se você sem dormir, tremer ao nascer do sol
Escute a voz de quem ama ela chega aí
Você pode estar tristíssimo no seu quarto
Que eu sempre terei meu jeito de consolar
É só ter alma de ouvir, e coração de escutar
E nunca me farto do uníssono com a vida
Eu sou, sou sua sabiá
Não importa onde for, vou te catar
Te vou cantar, te vou, te vou, te vou, te vou
Eu sou, sou sua sabiá
O que eu tenho eu te dou
E tenho a dar
Só tenho a voz cantar, cantar, cantar, cantar

Convite de Formatura 2005 Posted by Picasa

Reflexões sobre a Arte

A finalidade da Arte não é agradar. O prazer é aqui um meio; não é neste caso um fim. A finalidade da arte é elevar...

segunda-feira, agosto 08, 2005


Eu em Pirenopolis Posted by Picasa

Show no Café da Rua Oito


Minha mãe, Ângelo, Eu e meu pai Posted by Picasa

Eu e a Vere em Piri Posted by Picasa

Música

Em breve divulgarei os datas e os lugares dos shows
Até mais!!!

quinta-feira, agosto 04, 2005

Amar se aprende amando

Maneira de amar
O jardineiro conversava com as flores, manhãs contando coisas a uma cravina, ou escutando o que lhe confiava um gerânio. O girassol não ía muito com a sua cara, ou porque não fosse bonito, ou porque os girassóis são orgulhosos por natureza. Em vão o jardineiro tentava captar - lhe as graças, pois o girassol chegava a voltar - se contra a luz para não ver o rosto que lhe sorria. Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras flores não comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pé de girassol e de renovar - lhe a terra, na ocasião de vida. O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito o tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo coisa alguma. E mandou - o embora depois de assinar a carteira de trabalho. Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censuravam - se porque não tinham induzido o girassol a mudar de atitude. A mais triste de todas era a girassol, que não se conformava com a ausência do homem. "Você o tratava mal, agora esta arrependido". "Não, respondeu, estou triste porque agora não posso trata - lo mal. É a minha maneira de amar, ele sabia disso e gostava".

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, agosto 03, 2005

Eu

Sou de Brasília, não tenho medo de nada. Amo o Nordeste brasileiro. Tenho dificuldade em dizer não. Gente esnobe me detesta.Adoro Tarsila do Amaral. Ando pelo mundo prestando atenção em cores que não sei o nome. Adoro bichos. Compro discos pela capa. Só durmo ouvindo música. Eu não gosto do bom gosto. Sou perdida por gente doida.Sou professora. Gente inculta me detesta. Meu pai é militar. Meu irmão não se parece nada comigo. Faço letras. Tenho compulsão por leitura. Tenho 647 livros de literatura. Sempre digo sim. Reclamo muito. Não tolero gente no meu pé. Eu sou cantora. Tenho uma veia literária. Adoro crônicas. Pintura também é um espelho da alma. Minha família é um elo. Adoro ver o Angelo tocar violão. Amo Elis. Gosto da simplicidade de Adriana Calcanhotto.Torço pelo Palmeiras. Gosto do Flamengo. Adoro cinema brasileiro e europeu. Adoro peixe na telha. Tenho coleção de livros de Arte. Tenho três borboletas. Fico embasbacada com a beleza da praia de Araçagi. Não gosto de mistério. Tenho péssima memória para nomes. Gente careta me esnoba. Amo o Café da Rua 8. Detesto gente sem humor. Sou bon vivant. Portugal is beautiful! Às vezes sou meio gauche. Petit à petit me apresento. Adoro as cores de Frida. Dizem que eu mudo muito.