sexta-feira, setembro 30, 2005

Mr.Simple


Um dia começa.
Mr. Simple dorme e perde o sol desvirginando a madrugada.
O cheiro da manhã exala, com abuso, o frescor da brisa, pelas frestas da janela, do quartinho apertado de Mr. Simple.
Ele dorme como se estivesse num coma profundo e irreversível.
A ampulheta trabalha grão por grão num compasso alienado.
O cheiro da manhã se confunde com o cheiro do café que vem da casa vizinha de Mr. Simple.
Esse cheiro parece milagroso, pois o faz mexer-se na cama.
Inspira profundamente, acochega sua cabeça em um travesseiro bem desgastado. (Mr. Simple não o troca por nada)
Nada o desperta.
O seu horário de acordar? Quando o sol está radiante.
É meio-dia.
Mr. Simple levanta.
Com os olhos de ressaca e com os cabelos bagunçados, tenta encontrar a porta de seu banheiro, mas antes disso, ele corre na radiola e coloca um bom vinil, para dar asas à sua imaginação.
Mr. Simple não tem apego com este mundo.
Ele não pertence a este mundo.
Ele quer viver intensamente.
Teve algumas mulheres.
Talvez tenha amado.
O coração dele é profundo demais para ser observado.
Mr. Simple doa amizade e atenção às pessoas que o conhecem.
É AMIGO.
Tem amigos.
Neste exato momento, Mr. Simple encontra-se envolvido com alguém.
Sua simplicidade é sedutora.
Mr. Simple "considera" esta mulher.
Ele não a ama.
Mr. Simple é muito simples para isto!
Ele viaja muitas léguas enquanto ouve o seu vinil.
O seu dia passa. Às vezes lento, outras vezes, rápido e dinâmico.
A noite de Mr. Simple?? Ocupada.
Primeiro, ele cuida do seu novo envolvimento.
Dá carinho, beijos, faz piada, a quem diga que ele pratica até sexo!
Depois, ele preocupa-se com ele e, ao mesmo tempo, intelectualiza seus neurônios.
Mr. Simple não é tão simples assim.
Há algo obscuro em seu olhar.
Ele tem manias.
Ele é cheio de manias.
Alguém caiu na cilada de sua simplicidade!
Sua noite? Está acabando.
Mr. Simple volta para casa.
Para a simplicidade de sua vida.
Para o seu quartinho apertado.
Para o seu travesseiro desgastado.
Amanhã? Envolver-se-à...
Outro dia começará para Mr. Simple...

Michele Ribeiro

quarta-feira, setembro 21, 2005

Simpatia pelo demo??


O astrólogo carioca Otávio Azevedo aborda na revista universus um assunto que me parece ser da maior importância e por isso publico aqui. Sei que é muito polêmico. Sei que tá sujeito eu escrever algumas bobagens, e se eu fizer isso, peço aos senhores que me corrijam( micheleribeiro@yahoo.com.br).
Otávio inicia dizendo que se perde no tempo, o tempo em que o homem começou a ?culpar? o demônio pelas suas faltas. Segundo ele, esta é uma maneira fácil de fugir da nossa responsabilidade pelos atos cometidos e um jeito de nos livrarmos da angústia que nos causa o fato de termos de passar pela vida por um caminho de erros e acertos, que no final das contas é o nosso único e verdadeiro patrimônio. Segue o autor falando, que grande parte das religiões que proliferam nos dias de hoje têm em comum o fato de jogarem para cima do capeta a responsabilidade pelos erros que estamos todos sujeitos a cometer, e que de uma ou outra maneira, apresentam fórmulas para nos livrarmos do mal. Em programas de T.V., rádio, e toneladas de páginas escritas, os ?homens de Deus? urram: ?Sai capeta, fora Demônio?. Uma verdadeira batalha está sendo travada contra as sombras, como se nos fosse possível baní-las de nossa presença. Ainda segundo o autor do artigo: ?Pretensamente na tentativa de afastar o demônio, não fazemos nada mais do que afirmar a enorme importância que esta parte sombria da humanidade ainda exerce em nossas vidas, porque o maior afastamento de qualquer coisa se dá pela indiferença por essa coisa, jamais pelo combate exacerbado.? ... ?...estão tão preocupados em ?afastar o demônio?, que me pergunto até que ponto não estarão muito mais perto dele (ou fascinados por ele) do que dos Anjos que tanto exaltam... Até que ponto não nutrem uma dissimulada simpatia pelo demônio, graças a qual podem subsistir nessa eterna cruzada imaginária que lhes garante cada vez mais lucros e poder? Confesso que não sei a resposta. Tenho por princípio respeitar todas as religiões(ainda que não pertença a nenhuma delas) tenho alguns parentes e amigos que são ?homens de Deus? e que fazem um trabalho bem legal nas igrejas a qual pertencem, reconheço que o trabalho de algumas dessas igrejas ?de combate? é muito bom, e tem melhorado a vida de muita gente, mas não deixo de sentir um frio na espinha quando vejo alguém se colocar no lugar de falar em nome de Deus, e ?combater? em seu Santo Nome... Muitas fogueiras já foram erguidas sobre essa terra, e muita gente já foi queimada viva por ter opiniões diferentes daqueles que se diziam guerreiros de um rei que só falou de Luz, Paz e Amor...

segunda-feira, setembro 19, 2005


Uma turminha bacana

Três vezes na semana encontro-me com essas duas pessoas na faculdade em Inhumas.
Aí tem história pra contar quando vamos ao "Maurílio".
Doia amigos queridos: Élida e Marquinhos.
Grande abraço pra vocês!!!

sexta-feira, setembro 02, 2005

Ai se sessê!


Se um dia nós se gostasse
Se um dia nós se queresse
Se nós dos se impariásse
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse qui São Pêdo não abrisse as portas do céu e fosse, te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse e se tu insistisse, prá qui eu me arrezorvesse e a minha faca puxasse, e o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse tarvez qui nós dois caísse e o céu furado arriasse e as virge tôdas fugisse!!!
Zé da Luz (Grande Poeta Nordestino!!!)