Neste espaço haverá relatos de leituras, composições, músicas, idéias estéticas, políticas e filosóficas, pintura e fotografia para você ver,ler e comentar. Iscrivimi!!! Michele e os outros eus.
terça-feira, setembro 19, 2006
Por prazer!!!!
A biografia de James Joyce (especialmente aquela descrita por Richard Ellmann) sempre me pareceu mais fascinante do que qualquer de seus livros. Mesmo quando eu só tinha lido O Retrato do Artista, quando jovem, e ainda mesmo quando eu estive empacado no Ulisses por quase 7 anos. Não vou nem dizer do Finnegans Wake, porque este não foi feito para ser lido. Tem certas obras que vão muito além da vidinha do escritor. Machado de Assis, por exemplo. Drumond, Mário Quintana, Borges, Tolstói, Sartre, Nelson Rodrigues. Tem obra que se confunde (se não literalmente, pelo menos na profundidade e na altura do vôo) com a vida do escritor. Henry Miller, por exemplo. Knut Hamson, Osho, Artaud. E tem personagens que extrapolam o escritor e a obra. É o caso de Zorba, o Grego e, de certo modo, Jesus. Tem livros que me dão muito prazer quando os leio ou os releio. É o caso de todos os de Henry Miller, mas especialmente "Primavera Negra", "Sexteto" e "A Hora dos Assassinos". Também "As Palavras", do Sartre. "Fogos", de Marguerite Yourcenar. "Assim Falava Zaratustra", do Nietzsche. "Une Saison en Enfer", de Rimbaud. "A Sangue Frio", de Truman Capote. "La Barcarola" e "Confesso que vivi", do Neruda. "O Retrato de Dorian Gray" e "De Profundis", de Oscar Wilde. "Vidas Secas", do Graciliano. "A Ilha do Tesouro", de Robert Louis Stevenson. "A Importância de Viver", de Lin Yutang. "A semente de Mostarda", de Osho. "As Folhas das Folhas da Relva", de Walt Withman. "Lolita", de Nabokov. "Zorba, o Grego", de Nikos Katzanzakis. "Memórias Sonhos Reflexões", de Jung. "James Joyce", biografia escrita por Richard Ellmann. "Metamorfose" e "O Processo", de Kafka. "A Insustentável Leveza do Ser", do Kundera. E um monte de outros de que nem me lembro agora. Com esses livros eu seria capaz de ficar seis meses numa ilha deserta. Uma ilha deserta que ficasse a menos de mil metros do continente, na altura de Trancoso, na Bahia. No verão. E ao lado dos meus amores... Como se vê, não citei nenhum autor brasileiro. O melhor deles eu não citei por uma questão de modéstia. Mas, se preciso, e pensando bem, escolheria Leminski, Drummond e Guimarães Rosa. Também não citei nenhum de James Joyce nem de Yeats nem de... Claro que me esqueci de Homero e de Virgílio, de Tolstói e de Cervantes, de Cioran, Camus, Gaiarsa, Borges, Trotski, Marx, Dostoiévski, Freud, Knut Hamson, Pessoa, Göethe, Lorca! Meu Deus, minha ignorância parece ser enciclopédica! Mas não tenho receio em dizer que gosto muito de certos autores que a crítica detesta... Porque hoje eu só leio por Prazer.
segunda-feira, setembro 04, 2006
Sentimentos: Vide bula!

Como seria bom se os sentimentos viessem com instruções de como usá-los nos seus versos, imagina se você se deparasse com o sentimento da solidão e no verso viesse escrito: Modo de usar: Esse sentimento só deve ser usado nos dias que você estiver sozinho, não agite antes de usar, deve ser usado em silêncio, nas sombras do dia, na sobra das horas e nas cinzas do seu ser. Indicações: Indicado para pessoas abandonadas, traídas e indesejadas, provoca lágrimas repentinas e repetidas, dor no peito e nó na garganta. Para sua total eficácia deve-se desligar o telefone e se trancar num quarto escuro, não atender a porta e pensar que ninguém me quer, ninguém me ama. Contra-indicações : A solidão prolongada pode te fazer acreditar mesmo que ninguém te quer, ninguém te ama, pode te fazer esquecer das suas qualidades e virtudes, pode te fazer esquecer de você e que há tanta vida lá fora e muita gente que te quer. Posologia: Se sentir só mesmo acompanhado por uma multidão, procurar se afastar das pessoas e principalmente dos amigos. Superdosagem : Caso você sinta solidão durante muito tempo ou com muita intensidade recomenda-se que procure imediatamente um bom amigo ou tente arrumar um namorado(a). Agora imagina você num dia vazio, tipo um domingo à tarde, tomado por um sentimento, você olha para ele e tá lá estampado: saudades. Você então pega esse sentimento e lê no verso: Modo de usar: Esse sentimento deve ser usado no caso de se sentir falta de alguém ou de uma época, mas também funciona com lugares.No caso de sentir saudades de alguém deve-se pegar uma foto, mas para maior eficácia do produto a foto deve ser de você com a tal pessoa, em seguida fique olhando demoradamente para a foto reparando em como essa pessoa sorria ao seu lado, se não sentir o efeito então apele para um objeto, um presente, pronto você já estará sentindo saudades suficientes para um dia. Indicações: Indicado para pessoas que perderam um grande amor, para pessoas com a consciência pesada, para pessoas apaixonadas, que gostam muito ou para pessoas que tem alguém querido em local distante. O produto também pode ser usado por pessoas que amam ou gostam de alguém que mora perto, na mesma cidade, mas que mesmo assim não se vêem com freqüência. Contra-indicações: O fabricante do produto reserva-se no direito de não se responsabilizar pelas conseqüências com seu uso exagerado, afinal o sentimento é seu e não dele, não significa nada e não é problema dele. Posologia: Olhar duas ou três vezes ao dia para aquela foto ou presente querido. Superdosagem: No caso de saudade excessiva recomenda-se ligar ou escrever um e-mail para a pessoa objeto de tal sentimento.
P.S: Tocando ao fundo na trilha sonora que embala os passos do meu caminhar, o som do tic-tac da minha alma...
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