
Assistindo aos jogos olímpicos, lembrei-me da divina comédia de Dante. Percebi Contemporaneidade e Antigüidade tão unidas ali. Quando Dante se encontra no meio da vida, ele se vê perdido em uma floresta escura, e sua vida havia deixado de seguir o caminho certo. Ao tentar escapar da selva, ele encontra uma montanha que pode ser a sua salvação, mas é logo impedido de subir por três feras: um leopardo, um leão e uma loba. Prestes a desistir e voltar para a selva, Dante é surpreendido pelo espírito de Virgílio - poeta da antigüidade que ele admira - disposto a guiá-lo por um caminho alternativo. (O desafio ao chegar na China)
Saindo do inferno, Dante e Virgílio se vêem diante de uma altíssima montanha: o Purgatório. A montanha é tão alta que ultrapassa a esfera do ar e penetra na esfera do fogo chegando a alcançar o céu. Na base da montanha encontram o ante-purgatório, onde aqueles que se arrependeram tardiamente dos seus pecados aguardam a oportunidade para entrar no purgatório propriamente dito. Depois de passar pelos dois níveis do ante-purgatório, os poetas atravessam um portal e iniciam sua nova odisséia, desta vez subindo cada vez mais. Dante encontra Beatriz e se purifica, banhando-se nas águas do rio para que possa prosseguir viagem e subir às estrelas. ( As provas e as dificuldades do atleta)
Guiado por Beatriz, Dante passa pelos vários céus do paraíso e é interrogado por São Tomás de Aquino. Depois do interrogatório, recebe permissão para prosseguir e se separa de Beatriz tendo a oportunidade de sentir o amor divino que emana diretamente de Deus, "o amor que move o Sol e as outras estrelas". ( A superação e a vitória! O gosto da conquista, a alegria de representar o seu país: a medalha de ouro).
Vejo as Olimpíadas como uma divina comédia de vários Dantes almejando o Paraíso.
M.R.

